quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O tentador engano do voto nulo ou em branco




Este artigo aborda uma questão polêmica e delicada.“Devo fazer opção por um candidato, anular meu voto ou votar em branco?”. Sabemos que fazer escolhas não é tarefa fácil. Decisões tomadas hoje repercutirão no dia de amanhã.
Por esta causa algumas pessoas preferem não se comprometer e assumem a postura de neutralidade. Na conjuntura atual, para o segundo turno das eleições para presidente do Brasil, alguns se recusam a decidir entre as opções disponíveis: Aécio (PSDB) ou Dilma (PT).
Estes eleitores acreditam que votar em branco ou anular o voto é o mais correto a fazer. Quando questionados costumam alegar que nenhum dos candidatos será capaz de melhorar o país e que não se sentem representados pelos tais.
Expõem seus motivos e usam o argumento para convencer outras pessoas a fazerem o mesmo. O ponto de vista destes cidadãos, certamente deve ser respeitado. Quando alguém opina diferente está tão somente fazendo uso do direito de liberdade de pensamento e de expressão.
Por isto, permitam-me expressar o que penso. Acredito que o Brasil tem necessidade de produzir alternância democrática de poder. Os votos considerados para a vitória de algum candidato são os chamados “votos válidos”. Os votos nulos, assim como os em branco, não são computados (art. 77, §2º, CF). Portanto, ficar “em cima do muro” é omissão e não contribuirá em nada para que a alternância de poder aconteça. Deste modo, quem deseja mudanças precisa decidir-se.
Quando Pôncio Pilatos teve a oportunidade de decidir por Cristo, o governador da Judeia preferiu a neutralidade e “tomando água, lavou as mãos diante da multidão” (Mt 27.24). No entanto, o ato de lavar as mãos à frente da multidão não foi o suficiente para sossegar a consciência de Pilatos e tampouco o isentou de responsabilidade. Como consequência, Pilatos cometeu suicídio alguns dias depois da morte do Imperador Tibérius.
Diante do acima exposto, entendo ser um tolo engano acreditar que anular o voto ou votar em branco lhe tornará isento do que virá acontecer amanhã. Não votar em ninguém lhe fará tão responsável como se tivesse votado. Consciente desta realidade, no primeiro turno votei 40, Marina Silva (PSB). E, como desejo mudanças, vou manter a coerência e no segundo turno voto 45, Aécio Neves (PSDB).
O filósofo Edmund Burke (1729-1797) escreveu: “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada”. E o apóstolo Tiago assevera: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17).
Assim, concito-o a não ser neutro como Pilatos. Decida-se, não seja omisso e torne possível a alternância de poder em nosso país. Pense nisto!

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